domingo, 11 de dezembro de 2011

Diário de Bordo Cinefantasy - Dia 01/12

12 filmes em 3 dias, era o que faltava para terminar. Neste dia, encaramos a ficção científica Kaydara, o grego Frost, o mexicano Los Infectados, o brasileiro A Noite dos Chupacabras, e o inglês brucutu A Day of Violence - então, vamos lá.

Kaydara (França 2011)

Feito por fãs para fãs - o francês Kaydara é ambientado no universo Matrix - Assim como Star Wars, os irmãos Wachowisk deixaram um universo a ser explorado. O filme narra a história de Kaydara, um mercenário, que não acredita na profecia dos humanos sobre "O Escolhido" (aqui o nome Neo não é citado, provavelmente por direitos autorais), e parte em uma missão para matá-lo. Kaydara tem os poderes semelhantes ao do escolhido.  Com efeitos especiais e coreografias de lutas que não deixam nada a desejar para o original, o filme segue entre sequências de ação impressionantes e muita pancadaria - mesmo não sendo páreo para enfrentar o escolhido, Kaydara não desiste de sua missão e encara até o último suspiro, o confronto só termina quando um dos dois estiver morto. Em meio a tantos filmes de horror, Kaydara é uma grata surpresa no festival, e irá impressionar muito aos fãs da trilogia Matrix - e eu arrisco a dizer, que gostei mais deste ao terceiro da trilogia. Ainda deu pra curtir um divertido curta metragem na abertura: Ratrix.


Direção: Raphael Hernandez Savitri Joly-Gonfard.
Elenco: Alexandre Rodriguez, Savitri Joly-Gonfard, Guillaume Bouvete e Florence Rodriguez





Frost (Grecia, 2010)


Filme grego, que narra a história de três universitárias que vão morar em uma casa próximo a faculdade - porém logo ao chegar coisas estranhas começam a ocorrer, a casa parece estar assombrada - os eventos que ocorrem estão ligados a um espelho - que registrou uma tentativa de estupro e um assassinato anos atrás. Infelizmente é o filme mais fraco do festival, e dele não consegui encontrar nenhuma qualidade - os efeitos são ruins, péssimas atuações, roteiro e direção fracos. Filmes com baixo orçamento, não significa que seja ruim, basta esforço, criatividade e competência para cumprir a proposta do filme, o que aqui não foi feito.

Direção: George Pitsakis.
Elenco: Vasiliki Daliska, Eirini Margariti, Nikol Drizi e Takis Moschos




Los Infectados (México, 2010)

Produção mexicana que aborda o tema Zumbis, este que não podia faltar no festival - O filme acompanha Marcos, Claudia, Renato e garotinha Zoe - que estão refugiados em uma montanha, fugindo da infecção, que transforma os humanos em zumbis raivosos. O tema é mais do que batido, mas sempre tem espaço para novas histórias - o diretor tenta dar um tom real no relacionamento entre os personagens - Marcos está a beira da um ataque nervoso, e sua situação piora quando passa a ter que cuidar de Zoe, já que Claudia e Renato foram atacados. O filme levanta a questão moral de sobrevivência, Marcos pensa que Zoe seria um peso, e deixá-la para trás seria um alívio, mas como fazer isso? Suas atitudes fazem o expectador tomar ódio por esse personagem. Salvo pelas boas atuações, o diretor peca por não inovar no tema - e ao usar a câmera muito trêmula. tentando dar um tom real ao filme, acabou por prejudicá-lo por não saber trabalhar com a técnica.

Direção: Alejandro G. Alegre
Elenco: Marcos Duarte, Claudia Nin, Renato de Triana, Zoe Cuellar, Guillermo Jair, Mitzi Elizalde e Manuel Lozann.





A Noite do Chupacabras (Brasil, 2011)


Mangue Negro, foi um filme que fez sucesso nos festivais de filmes fantásticos no Brasil e no mundo, e parece que A Noite do Chupacabras vai trilhar o mesmo caminho. O capixaba Rodrigo Aragão volta as telas com um filme violento e divertido.

Douglas (Joel Caetano), um jovem do interior que tentou a vida na cidade grande, volta para a terra natal com a esposa grávida (Mayra Alarcón). Em casa, o pai está atrás de uma criatura que se alimenta do sangue de suas criações, criatura essa que o resto da família não acredita, pensam que os irmãos da família rival, os Carvalhos, são os responsáveis pelas mortes dos animais. Quando o patriarca aparece morto após sair em caçada a criatura - é o estopim para que a trégua entre as famílias seja quebrada, todo o ódio vem a tona.

Os Silva saem em busca de vingança - e começa então uma matança desenfreada - surge  Ivan Carvalho (Petter Baiestorf), o mais insano dos irmãos Carvalho, sente prazer ao matar, decapitar, xingar tudo quanto é tipo de palavrões, é o grande destaque entre o elenco. No meio desse confrontro, surge a criatura do título, o Chupacabras,  que ataca os personagens desprevenidos - outra figura estranha que surge é Velho do Saco, que aqui aparece como um feiticeiro, na cena mais aterrorizante do longa. No decorrer dos confrontos, Douglas e Ivan, tem que se unir para enfrentar o Chupacabras, com cenas de lutas e ataques bem feitas, estas que se devem a bela performance do ator que interpreta a criatura.

Vale a pena destacar, como Rodrigo aproveita a regionalização para construir os temas e os personagens de seus filmes - aqui, ele destaca brigas familiares por terra, também figuras míticas - lendas urbanas - temas comuns na região. 

Pena que falta espaço no filme, repleto de personagens, para um melhor desenvolvimento de alguns deles, como o Velho do Saco por exemplo - a personagem da atriz Mayara também acaba com pouco espaço, apesar de sua importância na trama. O elenco em si é bem afiado, belas atuações de Walderrama dos Santos como o Chupacabras e Cristian Verardi como o Velho do Saco (este personagem, merecia um filme só pra ele), o já citado Petter Baiestorf, o grandão Fonzo Squizzo como um dos irmãos Carvalho, Joel Caetano como Douglas, entre outros.

Rodrigo Aragão é um faz tudo, além de assinar o roteiro e a direção, ainda é responsável pela maquiagem - talentoso artista plástico, com muita criatividade, consegue construir personagens memoráveis - tanto que o Chupacabra - ganhou o prêmio no festival de Melhor Criatura - méritos de Rodrigo e Walderrama na construção da Criatura.

E que o cinema nacional olhe para diretores como o Rodrigo Aragão, Felipe M. Guerra, Denisson Ramalho - um gênero tão importante para o cinema mundial, merece um apoio melhor, e um reconhecimento do público.

obs: Também tive o prazer o conhecer o diretor Rodrigo Aragão, e alguns dos atores do longa, entre eles Mayra Alarcon, Fonzo Squizzo e Joel Caetano - só tenho a agradecer a toda simpatia e simplicidade desse pessoal.

Direção: Rodrigo Aragão
Elenco: Afonso Abreu, Alzir Vaillant, Cristian Verardi, Eduardo Moraes, Foca Magalhães, Fonzo Squizzo, Hermann Pidner, Joel Caetano, Jorgemar de Oliveira, Kika Oliveira, Markus Konká, Margareth Galvão, Margo Benatti, Mayra Alarcón, Milena Zacché, Petter Baiestorf, Raul Lorza, Ricardo Araújo e Walderrama dos Santos.







A Day of Violence (Reino Unido, 2010)

Filme inglês brucutu sobre um capanga que durante um serviço vê a oportunidade de ganhar um bom dinheiro e se livrar do seu chefe. Mas a história se complica, quando começa a trabalhar para um novo traficante, que estava envolvido com o dinheiro que ele roubou. Não é a toa que A Day of Violence foi o vencedor de melhor maquiagem/efeito - a história é brutal, e para retratar isso o diretor mandou ver na violência gráfica nas cenas de torturas, espancamentos, mutilações, degolas - daquelas cenas que você vira a cara para não ver. O problema do filme é quando descamba para a ação, cenas de tiroteio que fariam Dolph Lundgren (ator favorito do Perrone) corar de vergonha, além de atuações canastronas - o roteiro vai até bem, até revelar os motivos pelo quais levaram o protagonista a roubar - pena que se estende demais, e termina aquém do esperado.

Direção: Darren Ward
Elenco: Nick Rendell, Giovanni Lombardo Radice, Christopher Fosh, Tina Barnes, Victor D Thorn, Helena Martin, Steve Humphrey.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Diário de Bordo Cinefantasy - Dia 30/11

Depois da noite anterior, reunindo com a galera do Cinefantasy, e encarando uma noitada daquelas (lembrem-se, o que acontece em Sampa, fica em Sampa) - Acordamos cedo para encarar mais uma maratona de filmes, haja energético pra encarar. Neste terceiro dia, encaramos mais 4 filmes - o visualmente interessante Krokodyle, um suspense instigante em Patient 17, e os divertidos Planet of Vampire Women e Entrei em Pânico ao saber.... - vai aí a resenha de cada um - Na verdade estou um pouco confuso quanto a ordem dos filmes, mas tenho quase certeza que são esses - o importante é falar de cada um.

Krokodyle (Itália, 2010)

Visualmente fascinante e vencedor do prêmio de Melhor filme de Fantasia no Cinefantasy, Krokodyle vem arrebatando elogios pelo mundo afora. No filme, Kaspar é um jovem talentoso artista, que passa o tempo desenhando e criando um mundo fantástico, com personagens excêntricos. Cercado de amigos também excêntricos - um artista que cria estranhos seres com manequins, um cineasta fracassado, e uma fotografa que tem um estranho gosto pela morte. Conversando com eles, Kaspar junta idéias para criar um homúnculo - um pequeno ser, uma cópia de um ser humano, criado a partir de sêmen e sangue humano. A partir daí, Kaspar decide viver em seu mundo imaginário, deixando todos os seus amigos para trás - o que acontece é que, até onde o mundo real de Kaspar é realmente real, e não uma fantasia? Até onde seus amigos existem, ou são frutos de sua imaginação? Fantasia e realidade confundem também a cabeça do expectador.

Através de animações em Stop Motion, algumas realmente bizarras, uma linda trilha sonora, excelentes atuações - vamos acompanhando Kaspar e tentando entender sua mente - sonhos, pesadelos, lembranças compõem esse estranho mosaico de insanidade e fantasia.





Patient 17


Uma paciente misteriosa, com múltiplas personalidades - dois estagiários tentando desvendar a mente desta - um policial tentando descobrir o paradeiro de um criminoso pedófilo. Sonhos e alucinações, conflitos entre as personalidades. Patient 17 é um suspense instigante, que prende do início ao fim, o diretor Tuyet Le retrata o convívio da paciente com suas personalidades, cada uma mostrada como se fossem reais - em paralelo, a richa entre os dois jovens estagiários com seus diferentes interesses em entender e curar a paciente. O problema é que já vimos esse tipo de assunto de múltiplas personalidades abordado em outros filmes (Shutter Island, Clube da Luta...), tornando o final que tenta ser surpreendente; previsível.






Planet Of Vampire Women

Lindas mulheres vampiras, piratas espaciais, insetos gigantes, monstros, cyborgs - todos são personagens dessa ficção científica Z - Um filme com baixíssimo orçamento, efeitos especiais toscos e muito divertido, um filme daqueles que nos fazem rir do início ao fim. A história é sobre piratas espaciais, que após saquear um cassino, caem em um planeta, onde a Capitã é transformada em vampira após ser atingida por um raio (é isso mesmo) - O resto da equipe sai para tentar resgatar a líder, porém são atacadas poucos e vão se transformando em vampiras - quem se salva, tenta impedir a fuga das vampiras do planeta para evitar uma dominação dessa raça no resto da galáxia. 

Entre os personagens vale destacar a Clone, descrita como uma "clone do prazer" - linda e sexy - é a personagem mais hilária - que troca suas roupas (sempre curtas) com uma simples requebrada nos quadris - Destaque também para o personagem meio cyborg, meio humano (não me lembro o nome dele), que vive um dilema sobre ser uma máquina ou humano - que rende os diálogos mais engraçados do filme, como quando discute com o policial - "- Eu sou um humano!" / "Veremos, se eu cortar você, vai sair sangue ou fluído?". Monstros feitos de plastico, latex, isopor - tudo o mais artificial possível, dá um tom de homenagem a antigos filmes de Sci-Fi. Ah, para os marmanjos, sobra peitos e sangue para todo lado, nenhuma luta começa sem antes se rasgar a blusa das lindas personagens.





Entrei Em Pânico Ao Saber O Que Vocês Fizeram Na Sexta-Feira 13 Do Verão Passado - Parte 2 (Brasil, 2011)


O nome gigante já dá pra ver que o filme é uma sátira  (ou homenagem) a vários filmes Slashers adolescentes. O diretor Felipe M. Guerra realizou o filme com apenas R$ 3000,00  - o baixo orçamento é compensando com as cenas hilárias, e para quem conhece filmes de terror - as referências a vários filmes do gênero. A história se passa na cidade Carlos Barbosa - RS, sete anos após o massacre do primeiro filme (sim, houve um primeiro filme). Novos assassinatos começam a acontecer, e os sobreviventes começam a desconfiar que o assassino Geison voltou, já que se aproxima uma nova Sexta-Feira 13, nas mesmas condições primeiros assassinatos. Dentre as cenas mais hilárias estão a do advogado com a dominatrix e a beringela; as investidas do Guarda-Costas em Niandra, sempre fazendo referência ao filme Guarda-Costas - chegando a cantar a música tema. Mas o destaque mesmo, fica a cargo da atriz Dona Oldina, a avó do diretor Felipe M. Guerra, que tem um papel importantíssimo no filme - ela merecia receber um prêmio de menção honrosa. Tive o prazer de conhecer o diretor e sua avó, que estavam presentes na exibição - pessoas bacanas, que contribuem para produções do gênero no cinema nacional.






Com Felipe M. Guerra e Dona Oldina



quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Diário de Bordo CineFantasy - Dia 29/11

Segundo dia de Cinfantasy, começou aqui a verdadeira maratona de filmes - a Srta. Pri Ruiz ficou responsável por nos transportar para lá e pra cá, afinal tivemos sessões exclusivas e outras nas salas. Neste dia, assistimos a 4 filmes: O brasileiro O Guri, o argentino Sudor Frio, o americano #12 e o inglês Harold's Going Stiff.


O Guri (Brasil, 2011)


O Guri é um filme gaúcho, dirigido por Zeca Brito. Narra a história de Lucas, uma criança que mesmo antes de nascer, já era tachada como "amaldiçoada" por sua tia. O garoto cresce em um ambiente onde as mulheres aprenderam a sobreviver sozinhas, já que praticamente todos os homens estão em uma guerra. Lucas passa seus dias caminhando pelas lindas paisagens, pelas enormes pampas gaúcha, solitário, uma vez que não recebe atenção de sua mãe, e é rejeitado pela criada. Resta ao guri, descobrir a si mesmo sozinho, porém as coisas mudam com a chegada de sua tia. Em meio a manipulações e desejos, somos levados a crer no mito dos lobisomens. O filme merecidamente ganhou o prêmio de melhor trilha sonora no Cinefantasy - as belas músicas intercalam com as lindas paisagens e contrastam com a história de solidão, abandono, sofrimento dos habitantes da região.




Sudor Frio  (Argentina, 2011)

O cinema argentino ganhou visão nos últimos anos com o prêmio no Oscar, do belo Los Segredos de Tu Ojos. Porém filmes "do gênero", ainda são desconhecidos por aqui. O que me surpreendeu foi a qualidade técnica, impecável. Sudor Frio começa com o jovem Roman espionando sua ex-noiva, com ajuda de sua amiga Ali, estão em frente a uma velha casa, onde supostamente ela está com um cara que conheceu na internet. Ali, sua amiga flerta com o rapaz do chat, o mesmo que supostamente estaria com sua noiva, o que os dois não sabem, é que estão prestes a cair em uma armadilha. Dentro da casa escura, Roman e Ali descobrem dois senhores torturando uma jovem, daí tem começo a cenas de extrema tensão. Usando nitroglicerina, os velhos psicopatas prendem as jovens e as obrigam a resolverem questões matemáticas e lógicas. Roman, após salvar Ali, descobre sua ex-noiva encoberta de nitroglicerina - qualquer falha, pode causar uma explosão e matar a noiva e a si mesmo, para isso é preciso extremo cuidado para mover a garota, e levá-la a um lugar onde possa neutralizar a substância. O filme se perde a alguns elementos que são adicionados na história, porém não tem espaço para serem explorados, como as garotas zumbis, e os vizinhos traficantes. Boas atuações do elenco (marmanjos ficam de boca aberta com as belas atrizes), e uma trilha sonora frenética dão rítimo ao filme, que mesmo com algumas cenas inverossímeis, o diretor Adrián García consegue um bom resultado; Sudor Frio é um belo exemplar do cinema do gênero argentino e um exemplo para o cinema nacional.



#12


Eduardo Santana (Organizador do festival), contou uma história interessante sobre este filme; recebeu apenas um dvd, com a marcação em caneta #12, sem mais nenhuma informação adicional. Assistiu, ao que parecia ser um Snuff Movie, no final, apenas a exibição de um site, com vários videos que vão do #1 ao #11, ou seja, cada vítima tem número. Ao pesquisar, conseguiu descobrir os responsáveis e assim, as informações necessárias para a exibição no festival. Ah, esqueci de falar, não se trata de um Snuff Movie real. 

O filme começa quando uma câmera é ligada por um homem, que lendo o recado de "ligue-me", acha que foi deixada por sua esposa, com a câmera na mão, procura por ela, porém é abordado por alguns homens, que sequestraram sua esposa - e o obrigam a filmar, o que seria um snuff movie. O homem sai desesperado cumprindo as ordens dos homens, entre elas sequestrar uma conhecida prostituta - levando-a a um prédio abandonado, onde ela é submetida a torturas que ele teria que filmar, sob a ameaça de vida de sua esposa. 

Uma idéia fantástica para um filme - porém fica menos interessante quando muda para fuga dos homem e da prostituta pelo prédio, as cenas até geram uma tensão, mas fica parecido com muitos filmes "câmera na mão" que já vimos, além de não cumprir a proposta de um snuff movie que é de chocar o expectador. O final com a propaganda da "produtora" de filmes é sensacional. Segue o site http://www.renegade.cm.



Harold's Going Stiff (Inglaterra, 2010)


O Solitário Harold Gimble sofre de uma doença neurológica que afeta os membros e suas junções, deixando-o com dores e dificuldade de locomoção, conhecido por ser o primeiro a contrair essa doença, a mesma parece ter o efeito mais lento nele do que nas outras pessoas. O problema é que a doença em estado avançado torna as pessoas agressivas, que passam a serem rotuladas como zumbis, causando pânico na população. Um trio de 'caçadores' persegue e mata estes, com a desculpa de frear a disseminação da doença, mas na verdade parecem gostar de espancar os "zumbis"; e tem como alvo principal, Harold. No meio dessa confusão, surge a figura de Penny, uma enfermeira disposta a ajudar Harold, e durante as sessões de tratamento surge uma bela amizade, já que a enfermeira também é solitária e encontra no paciente, um amigo com quem pode contar todas as suas decepções amorosas. Harold se submete a ser cobaia de um tratamento médico que pode curar, porém avança o estado de sua doença. Narrado de forma documental, o filme mostra diversas formas de comportamento de seres humanos em frente a uma crise, há quem quer ajudar, há quem quer entender e há quem quer resolver tudo na força bruta. Se houvesse no festival, prêmios para melhor ator e melhor atriz, estes ficariam com a dupla que interpretou Harold e Penny (Andy Pandini e Molly Howe). Felizmente o filme arrebatou o merecido prêmio de melhor roteiro. Dirigido por Keith Wright, o filme é uma bela história de amizade, com um início divertidos e algumas cenas hilárias, mas reserva um final triste e trágico - não sei quanto aos meus colegas do juri, mas eu saí com um nó na garganta.


Diário de Bordo Cinefantasy - Dia 28/11

Como todos sabem, fiz parte do Juri Popular do 6º Cinefantasy - tivemos a tarefa de ver 21 filmes em uma semana - por regras do festival, não era permitido falar sobre os mesmos antes do resultado. Vou detalhar aqui meu dia a dia no festival, no 1º dia, tive a oportunidade de ver apenas um filme, segue uma breve resenha sobre o mesmo. 


The Whisperer in Darkness (EUA, 2010)


Este filme é baseado na obra homônima de H.P. Lovecraft - a história se passa nos anos 30, onde um professor cético se vê envolvido em eventos sobrenaturais, e mesmo com várias provas a sua frente, se recusa a acreditar. Diante da insistência de alguns moradores locais, o professor Albert Wilmarth acaba fazendo parte de uma conspiração alienígena. A ambientação do filme é muito bem feita, cenários, figurino, fotografia -  retratam bem os anos 30 - diálogos dinâmicos, boa trilha sonora contribuem para um clima crescente de tensão. Pena que o diretor opta por usar efeitos em CG para revelar as criaturas no final do longa, os fracos efeitos acabam por prejudicar o andamento do filme. Adaptar Lovecraft é complicado, poucos diretores conseguem mostrar na tela, o que ele escrevia. Mesmo que irregular, é um belo trabalho do diretor  Sean Branney.

domingo, 27 de novembro de 2011

A Hora do Espanto (Friday Night) 2011

E de remakes sobrevive o cinema de terror de Hollywood, sejam eles de filmes de outros países, ou de alguns clássicos do gênero. Com um orçamento melhor, e mais recursos técnicos, esses remakes, deveriam superar os originais, mas infelizmente isso não acontece. Em 1985, eu tinha 6 anos, mas já curtia filmes de terror. O mercado americano descobriu o público adolescente, e vários clássicos foram lançados na época; que marcou o nascimento de ícones do cinema como Freddy Krueger, Jason, Michael Myers, entre outros. Quando assisti A Hora do Espanto pela primeira vez (via sempre escondido dos meus pais), ficava de boca aberta, tremia de medo, mas me divertia e não desgrudava os olhos da tela. Vi e revi esse filme dezenas de vezes, ah como sinto falta do terror dos anos 80.

O roteiro deste remake, segue bem a linha do primeiro - Charley (Anton Yelchin) mora com sua mãe (Tony Collette) em uma pacata e isolada vizinhança perto de Los Angeles; lugar perfeito para que Jerry (Collin Farrel), possa se passar por um trabalhador noturno. Charley é alertado por Ed (Mintz-Plasse, o McLovin de Superbad), um "ex-amigo" sobre seu novo vizinho ser um vampiro, mas ignora o fato, assim como já vinha ignorando Ed há algum tempo. Porém com o desaparecimento de Ed, Charley resolve investigar e descobre o óbvio. Inseguro e assustado, o jovem herói pede ajuda para matar o vampiro ao canastrão Peter Vincent (David Tennant), um suposto caçador de vampiros que tem um programa de TV.

Collin Farrel fica bem a vontade interpretando o vampiro cafajeste, usando sua aparência física, seus trejeitos (caras e bocas) para seduzir e atrair suas vítimas. Diferente do original, o jovem Charley, é aqui um recém popular na escola, opção do roteiro para criar um conflito com seu "ex-amigo" nerd, o que não acrescenta muito a história. Uma escolha infeliz do roteiro, foi a do personagem Peter Vincent; enquanto no original era um velho ator decadente, aqui é um jovem bêbado e oportunista, que graças a bebida se torna corajoso. O resto do elenco não compromete, Toni Collette se adaptou bem ao papel de "mãe" (vide Pequena Miss Sunshine), e a jovem atris Imogen Poots, interpreta bem Amy, a simpática e indefesa namorada de Charley, que desperta a atenção de Jerry.

O diretor foi uma escolha arriscada para o projeto, acostumado a dirigir comédias, Craig Gisllepie foi corajoso ao assumir o remake. Apesar de boas cenas, como a dos vampiros saindo das paredes, ou a da luta entre Ed e Charlye, o diretor escorrega no 3D e no CG. O filme segue até um bom clima crescente de suspense, porém, as principais cenas soam muito artificiais, graças aos fracos efeitos.

Assim, esse remake não chega aos pés do original, em que toda falta de recursos na época não foi empecilho para criar um filme divertido e assustador, as maquiagens eram eficientes e reais, ao contrário dos efeitos de CG atuais. Pelo menos aqui, se prega um respeito pelo tema "Vampiros", nada de vampirinho descolado virgem que brilha no sol e não ataca ninguém; comparações com os filmes e livros Crepúsculo são inevitáveis, até este Hora do Espanto dá um alfinetada em uma cena onde o livro é citado. Ah, o ator Chris Sarandon, o vampiro do original, faz uma pequena participação, como uma das vítimas.



A Hora do Espanto (Friday Night) 2011
Dirigido por Craig Gillespie
Roteiro de Marti Noxon
Com Anton Yelchin, Colin Farrell, Toni Collette, David Tennant, Imogen Poots, Christopher Mintz-Plasse

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Human Centipede (First Sequence) e Human Centipede II (Full Sequence)

The Human Centipede (First Sequence)

Antes de ser concebido, Human Centiped (Centopéia Humana, ao pé da letra), já era polêmico. A idéia de se fazer uma experiência, criando uma "centopéia" com seres humanos, já gera um certo desconforto. O filme até funciona, apesar de pecar no roteiro, e em algumas atuações.

O filme resgata um horror dos anos 60, aqueles onde cientistas loucos aterrorizavam as telas. O austríaco Dieter Laser incorpora o papel, bem a vontade como o Dr. Heiter, é ele que salva o longa. O resto do elenco é fraco, apesar de seus papeis não exigirem grandes atuações. A forma como a "centopéia" é concebida é de uma ideia grotesca, apesar da violência gráfica dosada, só de imaginar uma pessoa ligada a outra com a boca costurada ao ânus, já causa repulsa.

Infelizmente a boa ideia escorrega no roteiro, mal desenvolvido e pouco ousado, não cria situações agonizantes. O final, pouco inspirado, acaba deixando aquele sentimento de que "podia ser um filme interessante".




The Human Centipede (First Sequence) - 2009
Dirigido por Tom Six
Elenco: Dieter Laser, Ashley C. Williams e Ashlynn Yennie





Human Centipede II (Full Sequence)

Se no primeiro filme o diretor Tom Six dosou a violência - nesta sequência, ele abusou - repulsivo, é um filme grotesco, praticamente não há diálogos, o protagonista Martin (Laurence R. Harvey) não diz uma palavra durante todo o longa.

Martin é um cara perturbado, fã do primeiro filme, decide fazer sua própria centopéia, só que com 13 humanos, e sem experiência cirúrgica, usa tudo o que tem pela frente, fitas, grampeadores, facas...

É um filme descartável, mas para quem gosta de ver coisas extremas, vale dar uma olhada - os 30 minutos finais onde a centopéia é construída é difícil de acompanhar, é preciso ter estômago. O filme foi banido no Reino Unido, essa polêmica acaba por promovê-lo, só que, não merece tanto estardalhaço.




The Human Centiped II (Full Sequence) - 2011
Dirigido por Tom Six
Elenco: Laurence R. Harvey, Ashlynn Yennie and Maddi Black


quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Medo (2003)

Lançado no Brasil como Medo, Janghwa, Hongryeon, conhecido também como A Tale of Two Sisters; é um dos melhores exemplares da safra asiática de filmes de horror. Teve um fraco remake lançado por aqui, mas nada que ofusque a maestria como este foi dirigido. 

A trama começa com Su-mi contando ‘o que aconteceu naquele dia’ para um psiquiatra. Sua história começa com sua chegada e de sua irmã Su-Yoen na isolada mansão de seu pai. A relação entre Su-mi e seu pai é conturbada – o pai sempre tenta se aproximar da filha, mas a mesma guarda um rancor devido ao misterioso passado da família, revelado somente nos minutos finais da trama. Su-mi está sempre protegendo sua irmã da jovem e desequilibrada madrasta, outra relação conturbada. Com a chegada das meninas a casa, coisas estranhas começam a acontecer – aparições de uma misteriosa entidade durante a noite começam a aterrorizar não só as meninas, mas também a madrasta. O pai assiste com tristeza a relação entre Su-Mi e a madrasta, tenta ajudar a filha, mas parece não entender os motivos que estão levando a menina a insanidade.

O diretor conduz o filme em um clima claustrofóbico e agonizante na isolada mansão com seus corredores frios e escuros. Retrata com maestria a agonia dos personagens diante das situações cada vez aterradoras que vão revelando o destino trágico de cada personagem. Su-Yoen que quase nada fala durante toda a trama, é uma personagem perturbada e misteriosa, o que no passado da família tanto a incomoda? Por que o elo que existe entre as duas irmãs incomoda tanto o pai? Por que o pai nunca fala com Su-Yoen? Porque sua relação com sua jovem esposa é distante? Várias perguntas e poucas respostas deixam o espectador confuso durante quase toda trama. Os acontecimentos se intensificam até o momento em que o pai não agüenta mais e precisa pedir ajuda para entender o que está acontecendo a filha, que cada vez mais insana, revive todo o tenebroso passado na sua volta ao lar. As atuações são impecáveis, a fotografia é perfeita e só contribui para o clima sombrio do filme. 

Diferente de outros filmes de horror asiáticos (O chamado, por exemplo), o diretor conduz o filme para um final dramático e aterrador, em vez de explorar o horror, com exceção de algumas cenas pavorosas (a cena da mulher no quarto é uma das mais assustadoras que já vi). O diretor leva o expectador a conhecer primeiro o insano presente dos personagens, depois o triste e sombrio passado que explica assim o futuro trágico de cada personagem. O filme deixa em aberto a questão entre o sobrenatural e a insanidade de Su-Mi – os acontecimentos na casa eram reais? Ou apenas um reflexo da Insanidade de Su-Mi? 



Medo – (2003 – Coréia do Sul)
Direção – Ji-Woon Kim
Elenco: Kap-su Kin, Jung-ah Yum, Su-jeong Lim, Geun-yeong Mum