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terça-feira, 27 de dezembro de 2011

I Saw The Devil (2010)

Guardem esse nome - Jee-woon Kim, mesmo diretor de A Tale Of Two Sister e A Bittersweet Life, vem a cada filme se tornando uma referência do cinema oriental. 

O longa narra a história de um detetive,  Kim Soo-hyeon, que tem sua noiva assassinada por um doentio psicopata, Kyung-chul (Min-sik Choi, o Dae-su Oh de Oldboy) - revoltado com a forma como a moça foi morta, o jovem detetive parte em busca de vingança. Quando descobre o assassino, um interessante jogo entre os personagens começa.

Kim Soo-hyeon tem a intenção de fazer o psicopata sofrer, assim como sua noiva sofreu nas mãos dele - o detetive faz do assassino sua caça, e tortura-o lentamente, soltando-o logo depois, para persegui-lo e atormentá-lo de novo - o problema, é o que Kyung-chul gosta do jogo e decide entrar na brincadeira enfrentando o detetive frente a frente, que pode ser mais forte e inteligente, mas o psicopata é louco o suficiente para levar a história até as últimas consequências.

Como já comentei antes, o filme é brutal - violento graficamente e psicologicamente, com um rítimo frenético que prende do início ao fim - méritos as excelentes atuações do elenco, Min-sik Choi mergulha no personagem, e é dele os grandes momentos do longa, seu personagem é extremamente perturbador. Não temos um roteiro tão puta que pariu quanto o de Oldboy, mas tudo aqui é compensado com cenas de extrema tensão, e uma reviravolta que nos deixa de queixo caído. O único pecado do roteiro, é o final se delongar demais.

A vingança pode trazer paz para quem a procura? Sabemos que não é bem assim, a vingança não corrigirá nenhum erro, nem trará ninguém de volta - e o pior, as consequências podem ser desastrosas - essa é a mensagem que prega o filme. I Saw the Devil é mais um ótimo exemplar vindo do oriente, um filme memorável para quem procura algo a mais no cinema em meio a tantos blockbusters sem inspiração, pena que provavelmente nem será lançado por aqui.



Dirigido por Jee-woon Kim
Roteiro de Hoon-jung Park
Elenco: Byung-hun Lee, Min-sik Choi e Gook-hwan Jeon



quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Medo (2003)

Lançado no Brasil como Medo, Janghwa, Hongryeon, conhecido também como A Tale of Two Sisters; é um dos melhores exemplares da safra asiática de filmes de horror. Teve um fraco remake lançado por aqui, mas nada que ofusque a maestria como este foi dirigido. 

A trama começa com Su-mi contando ‘o que aconteceu naquele dia’ para um psiquiatra. Sua história começa com sua chegada e de sua irmã Su-Yoen na isolada mansão de seu pai. A relação entre Su-mi e seu pai é conturbada – o pai sempre tenta se aproximar da filha, mas a mesma guarda um rancor devido ao misterioso passado da família, revelado somente nos minutos finais da trama. Su-mi está sempre protegendo sua irmã da jovem e desequilibrada madrasta, outra relação conturbada. Com a chegada das meninas a casa, coisas estranhas começam a acontecer – aparições de uma misteriosa entidade durante a noite começam a aterrorizar não só as meninas, mas também a madrasta. O pai assiste com tristeza a relação entre Su-Mi e a madrasta, tenta ajudar a filha, mas parece não entender os motivos que estão levando a menina a insanidade.

O diretor conduz o filme em um clima claustrofóbico e agonizante na isolada mansão com seus corredores frios e escuros. Retrata com maestria a agonia dos personagens diante das situações cada vez aterradoras que vão revelando o destino trágico de cada personagem. Su-Yoen que quase nada fala durante toda a trama, é uma personagem perturbada e misteriosa, o que no passado da família tanto a incomoda? Por que o elo que existe entre as duas irmãs incomoda tanto o pai? Por que o pai nunca fala com Su-Yoen? Porque sua relação com sua jovem esposa é distante? Várias perguntas e poucas respostas deixam o espectador confuso durante quase toda trama. Os acontecimentos se intensificam até o momento em que o pai não agüenta mais e precisa pedir ajuda para entender o que está acontecendo a filha, que cada vez mais insana, revive todo o tenebroso passado na sua volta ao lar. As atuações são impecáveis, a fotografia é perfeita e só contribui para o clima sombrio do filme. 

Diferente de outros filmes de horror asiáticos (O chamado, por exemplo), o diretor conduz o filme para um final dramático e aterrador, em vez de explorar o horror, com exceção de algumas cenas pavorosas (a cena da mulher no quarto é uma das mais assustadoras que já vi). O diretor leva o expectador a conhecer primeiro o insano presente dos personagens, depois o triste e sombrio passado que explica assim o futuro trágico de cada personagem. O filme deixa em aberto a questão entre o sobrenatural e a insanidade de Su-Mi – os acontecimentos na casa eram reais? Ou apenas um reflexo da Insanidade de Su-Mi? 



Medo – (2003 – Coréia do Sul)
Direção – Ji-Woon Kim
Elenco: Kap-su Kin, Jung-ah Yum, Su-jeong Lim, Geun-yeong Mum


terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Shutter (A Morte está ao seu Lado)

Quem nunca ouviu falar sobre fotos que registram ‘fantasmas’? Acho que todo mundo conhece um caso desses. A verdade é que a maioria dessas fotos são montagens, ou algumas delas apresentam pequenos defeitos que nos levam a crer que existe um fantasma exposto na foto. Será possível que uma simples máquina fotográfica consiga registrar imagens de espíritos? A trama de Shutter tem como base esse princípio, quando o fotógrafo Tun e sua namorada Jane começam a perceber que, em suas fotos, aparece a misteriosa imagem de uma mulher, após um atropelamento em que ambos foram responsáveis. Estranhos sonhos e aparições começam a atormentar o casal, que decide investigar o que está ocorrendo.

A verdade é que Tun parece querer ignorar o fato, mas Jane está disposta a ir até o fim das investigações, e descobre que a mulher das fotos se chama Natre e tem uma ligação com o passado de Tun. O filme evoca a situação de que algumas pessoas, ao morrerem, querem sempre ficar próximas de seus entes queridos, ou alguns, ficam porque querem se vingar de alguém que lhes fez mal.

Um pouco diferente dos filmes coreanos e japoneses, o roteiro de Shutter é mais ‘redondo’. A trama é bem desenvolvida, apesar de um pouco batida e não existem muitas complicações para o espectador quebrar a cabeça. Peca por não aprofundar no tema, chega a ser um pouco previsível em certo momento, mas não deixa de nos surpreender em outras situações. O grande trunfo de Shutter está na excelente atuação do casal de protagonistas e nas aparições assustadoras de Natre. E o filme ainda reserva uma surpresa assustadora para um final aterrador. Confesso que passei uma semana tendo pesadelos e dormindo com a luz acesa.




Shutter - They are around us (2004 - Tailândia)
Diretor: Banjong Pisanthanakun, Parkpoom Wongpoom
Elenco: Ananda Everinghan, Natthaweernuch Thongmee, Achita Sikamana, Unnop Chanpaibool


sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Audition (1999)

Takashi Miike é o diretor mais polêmico e controverso do Japão, tendo realizado do início dos anos 90 até hoje mais de 60 filmes. Conhecido por produções extremamente violentas, como Ichi the Killer, Takashi tem um trabalho peculiar que merece ser analisado a fundo.

A trama conta a história de Aoyama, que depois de 10 anos sozinho após o falecimento de sua esposa, decide se casar novamente, influenciado por seu filho. O problema de Aoyama é encontrar a mulher perfeita que substitua a sua falecida amada. Um amigo decide ajudar, realizando uma Audição para escolha de atrizes para um suposto filme. Aoyama se apaixona por Asami, uma doce e tímida aspirante a atriz. Os dois começam a se encontrar e Aoyama fica cada vez mais apaixonado pela jovem. Boa parte do filme é um romance entre os protagonistas, no decorrer da história, toques surrealistas no melhor estilo ‘David Lynch’começam a revelar o passado de Asami e quais são suas reais intenções com o protagonista. Uma mulher doce, mas guarda dentro de si um ressentimento de seu passado – o mistério que aos poucos se revela..

Audition é um filme para quem tem estômago forte. A sequência final mostra uma doentia e cruel tortura, que chega a causar repulsa no espectador (por várias vezes tentei tapar os olhos). Miike faz questão de deixar a câmera focada na tortura, que vai de agulhadas a mutilações. Mesmo sendo esta a sequência mais intensa do filme, Audition é mais um filme japonês que fala sobre solidão. É impressionante como os diretores nipônicos conseguem retratar de modo tão tocante, e mostrar a condição atual do país. Alguns podem considerar a violência explícita do filme como um problema, mas se tratando deste excêntrico diretor, considero um ponto alto em suas obras, um diferencial – coragem para mostrar o que outros escondem.

Takashi Miike realizou uma obra ao mesmo tempo poética e doentia, uma breve relação entre céu e inferno, anjos e demônios, bem e mal. Existe diferença entre estes? Um vive sem o outro?






Audition (1999 - Japão)
Dirigido por Takashi Miike
Elenco: Ryo Ishibashi, Eihi Shiina, Tetsu Sawaki